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terça-feira, 1 de novembro de 2011

RAUL DA FERRUGEM AZUL

                         Raul da ferrugem azul

        Quem é que nunca ficou indignado, irritado ou, até mesmo, envergonhado por presenciar alguma situação de violência – seja física ou moral – contra alguém?
       O Raul sentia tudo isso, mas não fazia nada, não. Deixava as coisas acontecerem, só observava, sem falar nada, sem protestar. Está certo que ele bem que queria reagir, mas não tinha coragem. Só a vontade não bastava!
       Por isso, de tanto ver coisas injustas e erradas serem feitas e acabar consentindo – como diz o ditado: “Quem cala, consente.” – ele foi enferrujando. Não demorou muito e Raul percebeu que estava quase todo azul!
       Imagina! O Raul azul!! Ora essa, a gente não fica vermelho de raiva? Amarelo de vergonha ou medo? Pois o Raul ficou azul, de tanto ficar calado.
       E cada pessoa que não se manifesta quando vê atos errados, vai criando uma ferrugem, como a Estela, que tinha ferrugem amarela, e a Marieta da ferrugem preta. E você? Qual é a cor da sua ferrugem? É claro que você só a terá se ficar calado diante de atos covardes e injustos. Será que fica?
Seria uma boa ideia se a gente ficasse de alguma cor para demonstrar a nossa insatisfação com alguma coisa, assim, talvez, a gente nem precisasse falar, só de nos verem já saberiam das coisas erradas que estariam fazendo e recuariam, não praticando mais tais atos.
       Muitas vezes nos acovardamos diante de situações intoleráveis, mas a nossa perda de voz tem uma explicação: o medo. E é esse medo que não podemos deixar que tome conta do nosso pensamento e ação e, assim como Raul, devemos falar o que nos incomoda. Se cada um fizer a sua parte, quero dizer, se cada um falar o que pensa não teremos apenas uma voz, mas um coro, e aí, sim, seremos ouvidos e, mais do que isso, respeitados.
      É isso o que acontece com o menino Raul, que já não é mais da ferrugem azul, pois decidiu usar um dos seus dons especiais: a voz! E todo medo e insegurança que sentia, sumiram.
      Saiba você de um segredinho: todos nós temos esse dom especial!!!

Referência do livro: MACHADO, Ana Maria. Raul da ferrugem azul. Ilustrações de Rosana Faría. São Paulo: Richmond Educação, 2009.

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domingo, 17 de julho de 2011

Do outro mundo

Do outro mundo

Você deve estar se perguntando se essa história é de terror, pois o título é sugestivo! Mas não! Essa história não é de terror. Poderíamos até dizer que essa história é de dar vergonha em toda a sociedade. Você já vai entender!
Nessa história Ana vai nos mostrar do que o ser humano é capaz de fazer por poder, para tê-lo ou, ainda, para não perdê-lo.
Tudo começa quando a mãe de Elisa e Léo resolve transformar o sítio, herdado por ela, em uma pousada.
Para a alegria da criançada, elas poderão ajudar. Além de Elisa e Léo, que são os filhos de Vera, seus amigos Mariano e Terê vão poder ajudar. E como recompensa poderão dormir no “anexo” da pousada, um lugar que há muito tempo havia sido uma senzala.
É na primeira noite, em que as crianças dormem no “anexo”, que coisas estranhas começam a acontecer.
Primeiro Mariano escuta ruídos, logo em seguida parece ouvir alguém chorando. Mas acaba pensando que é uma das meninas do quarto ao lado.
Porém, ele não foi o único que ouvira tudo isso. Elisa também havia tido essa experiência.
As noites passam e em uma delas, os quatro amigos, Mariano, Elisa, Léo e Terê, têm a incrível experiência de encontrar uma menina fantasma, a Rosário.
É ela quem vai contar as atrocidades que as pessoas cometiam contra outras, escravas, no tempo da escravidão. E você vai ter certeza de que essas são piores do que coisas de outro mundo.
E é Mariano quem vai registrar tudo e nos contar essa história.
Rosário enfrentará um fantasma de arrepiar: a lembrança dolorosa de quando estava viva, e era escrava por causa de sua cor. Com a ajuda da garotada ela tentará superar esse trauma e o medo de que outros venham a sofrer o que ela sofreu.
Mariano também terá um desafio! Bem menos complicado: o de registrar toda a história de Rosário escrevendo um livro e publicando-o, para que todos possam ler, compreender que ter a liberdade privada deixa marcas profundas nas pessoas, feridas que não tem cura, e para que nunca mais a humanidade cometa o mesmo erro.

Referência do livro: MACHADO, Ana Maria. Do outro mundo. 1.ed., 8.impr. São Paulo: Ática; 2007.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Bisa Bia, Bisa Bel

Uma história para contar...


     Você já se imaginou dentro de uma história? Já pensou em ser diferente do que é, ou de conhecer algum lugar?
     Pois com os livros você pode tudo isso e muito mais.
     Com os livros não há limites para o nosso pensamento.    
     Quando lemos, viajamos para lugares distantes, sem sair do lugar, e o melhor, sem gastar muito, só um pouquinho de tempo! Conhecemos novas opiniões e, através dessas, renovamos as nossas. E, ainda, muitas vezes voltamos para um tempo que não volta mais. Quem nunca quis fazer uma viagem pelo tempo, aquele tempo de criança, o qual, tenho certeza, se um dia tivéssemos oportunidade, voltaríamos.
     É isso o que acontece quando lemos livros como Bisa Bia, Bisa Bel, de Ana Maria Machado, uma das escritoras brasileiras de literatura infanto-juvenil mais premiadas.
     A história desse livro, nas palavras da escritora, poderia ter acontecido com qualquer pessoa, inclusive com você.
      Quando o lemos temos a impressão de estarmos dentro da história. Viajamos pelo tempo, quero dizer, voltamos no tempo, para um tempo gostoso de se viver; um tempo em que não há preocupações, a única é se divertir e ouvir as histórias da vovó.
      Lembramos de coisas que aconteceram conosco, e nos identificamos com as personagens, pois elas são parecidas com tantas avós, netas e bisnetas deste mundo.
      Quando a menina Bel encontra uma fotografia antiga nem imaginava que iria conhecer pessoas que se tornariam muito, muito importantes para ela.
      Assim como Bel, você pode se aventurar a conhecer novas pessoas, as quais só ganham vida quando você abre o livro e as lê. Porque é isso que acontece quando lemos, nós temos o poder de dar vida a seres que estão esperando apenas uma “abridinha” nele e uma “olhadinha” por entre suas páginas.
      Neste livro, Bisa Bia, Bisa Bel, você que é mãe, vai conhecer e compreender melhor a sua filha; você que é filha, vai entender mais a sua mãe; e você que já é vovó, vai se “reencantar” e matar a saudade da neta querida.
      Tenho certeza de que você terá uma boa história para contar ao ler esse livro, e, também, terá boas lembranças do tempo de quando era criança, pois enquanto houver uma lembrança, o passado não será esquecido, estará sempre presente na nossa memória, e, também, nas páginas desse livro!

(Referência do livro: MACHADO, Ana Maria. Bisa Bia, Bisa Bel. Novela. 3ed. São Paulo: Moderna, 2001.)