segunda-feira, 7 de maio de 2012

OLIVER TWIST

Oliver Twist

            Como descrever Oliver? Talvez essa pergunta não seja tão fácil de responder. Cada leitor que aprecia a leitura de Oliver Twist o vê de maneira particular.
            Dickens teve muita coragem e sensibilidade para escrever a história de Oliver. O menino, órfão, desde o nascimento nunca recebera carinho de qualquer pessoa e, até certa altura da vida, as que se aproximavam dele tinham más intenções. Mesmo assim não era uma criança revoltada, agressiva, pelo contrário, se manteve firme em relação às suas atitudes.
            Oliver passou por muitas dificuldades, que não eram poucas, aliás, eram imensuráveis – como ele, fraco e ingênuo, poderia fugir de uma gangue de infratores que o queriam para transformá-lo em um marginal?
            O menino foi forte, talvez tenha sido por ser ingênuo ou por ter a bondade dentro de si, mas que criança nasce má? Que criança nasce com maldade no coração? Nenhuma. A verdade é que, muitas vezes, na maioria das vezes, são as pessoas que as corrompem.
            Porém, o nosso personagem foi muito resistente e não deixou o mundo e, principalmente, pessoas que lhe queriam mal, desvirtuarem sua boa índole.
            Nessa história, Dickens retrata o drama de crianças, no século XIX, que viviam em orfanatos, ou então como eram conhecidos na Inglaterra, Casa dos Pobres.
            Com a história de Oliver percebemos que as pessoas maldosas nem sempre vencem, e aquelas que tomam decisões de acordo com sua consciência fazem o melhor que podem, como ele próprio fez, sempre tendo atitudes de acordo com aquilo que acreditava.
            Essa é a história de Oliver Twist, um menino que não conheceu pai nem mãe, não soube o que era viver em família quando criança, mas que nunca perdeu a esperança de que um dia sua vida mudaria, como de fato aconteceu; e nunca perdeu a fé nas pessoas, acreditando assim que eram  bondosas, ou deveriam ser.
            Para quem gosta de filmes, Oliver Twist foi adaptado para o cinema em 2004, com o mesmo nome, pelo diretor Roman Polanski. Fica a dica, porém leia o livro primeiramente para, então, assistir ao filme.

DICKENS, Charles. Oliver Twist. (adaptação de Rodrigo Espinosa Cabral) 2ª ed. São Paulo: Rideel, 2004. (Coleção Aventuras Grandiosas)

domingo, 8 de abril de 2012

A MEGERA DOMADA

A megera domada


          Muitas versões já foram feitas dessa história, entre elas: a primeira versão para o cinema, de 1967, tendo o mesmo título do livro; A noviça rebelde – musical da Broadway; Dez coisas que odeio em você – comédia voltada para o público jovem, produzida em 2000; O cravo e a rosa – novela exibida pela Rede Globo.
          Caros leitores, nesse momento vocês já devem estar familiarizados com a história.
          Porém, agora é a vez de a narrativa ser reescrita e recontada pela visão literária de Marco Haurélio, poeta popular nascido na Bahia, que faz uma divertida e bem-humorada versão do texto de Willian Shakespeare.
          Essa versão em cordel, prima pela linguagem mais popular, é contada, como diria Manuel Bandeira através da “língua errada do povo / língua certa do povo / [através do] (...) português [gostoso] do Brasil”. Logo, como a linguagem utilizada é mais ágil, dá fluência à história, quanto mais lemos mais queremos ler.
          Em 158 estrofes é contada a história de duas irmãs: Catarina – a megera – geniosa e orgulhosa, e Bianca – doce e amável.
          A trama gira em torno da tentativa de Petruquio em conquistar o coração de Catarina e mudar seu jeito de ser; e o desejo de Bianca em se casar com Lucêncio, porém impedida pela teimosia e demora de sua irmã em aceitar o pedido de Petruquio.
          O pai das duas meninas, o fidalgo Batista Minola, recusa-se a deixar Bianca, a caçula, a casar-se antes de Catarina, a megera. Fato que entristece Bianca e retarda cada vez mais o sonho dela em realizar seu casamento, pois a irmã, um “osso duro de roer”, nega-se a casar-se com qualquer pretendente, para isso espanta-os todos com seu jeito teimoso e turrão.
          Porém, não contava ela que encontraria um pretendente à sua altura, pois tão caprichoso e temperamental quanto ela, era o interesseiro Petruquio. Este, disposto a todo custo a domar Catarina, arma todas as peraltices possíveis para “amansá-la”.
          A história é instigante: será que Petruquio, o pretendente mais corajoso e persistente de Catarina, conseguirá “domá-la” e conquistá-la? E Bianca, terá um final feliz com seu tão amado e desejado amor? E quanto às relações expostas na trama: será que o interesse prevalecerá ou os sentimentos das personagens serão mudados na medida em que irão se conhecendo melhor?
          Para ter as respostas dessas e de outras questões só lendo o livro, maravilhoso, do Haurélio.

Referência do livro: HAURÉLIO, Marco. (adaptado de Willian Shakespeare) A megera domada. São Paulo: Nova Alexandria, 2007. (Coleção: Clássicos em cordel)

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domingo, 4 de março de 2012

CHAPEUZINHO ADORMECIDA NO PAÍS DAS MARAVILHAS

Chapeuzinho adormecida no País das Maravilhas

Você deve estar se perguntando: “Mas que confusão é essa? Parece que alguém se enganou com o nome do livro!” Não precisa se espantar! No mundo mágico da literatura há espaço para todo tipo de imaginação. É o caso desse surpreendente livro.
Desta vez quem conta, ou melhor, tenta contar-nos uma história é um pai, muito atrapalhado, e por isso engraçado.
Quando é pedido, pela filha, para contar-lhe uma história na hora de dormir, ele acaba se atrapalhando todo e misturando várias personagens e vários contos de fada. Afinal, ele é o pai, e por muitos, muitos, muitos anos a tarefa – por sinal prazerosa –  de contar histórias para os filhos era da mamãe. Mas esse tempo já passou – não passou, papais de plantão??? E você vai se surpreender com o jogo de cintura desse pai tão dedicado, que fará de tudo para não decepcionar a sua filha.
Nesse conto até cabe um ditado “quem conta um conto aumenta um ponto”, nesse caso não só um ponto como vírgulas, parágrafos, capítulos e tudo mais a que se tem direito quando se conta uma história.
Esse pai, que parece estar com uma preguiça danada, logo, logo se vê mais empenhado para contar a história do que a filha para ouvir, pois ela queria “Chapeuzinho Vermelho”, mas seu pai desastralhado – mistura de desastrado com atrapalhado – começa a inventar uma história muito maluca.
 Por causa de não se lembrar, de modo algum, de nenhum conto por completo, o pai faz uso de diversos personagens como uma menina de capa vermelha, um coelho atrasado, um príncipe sapo, uma fada madrinha muito descolada (que tem um percing no nariz), uma bruxa mãe e outra filha e vários outros, inclusive, ele mesmo e a sua própria filha. Além disso, mistura cenas e acontecimentos, aguçando cada vez mais a curiosidade da filha, e a nossa também, para saber o final dessa história que vai se tecendo graças ao esquecimento de um pai engraçativo – mistura de engraçado com criativo.
Falando em criativo, devemos elogiar muito a criatividade daquele que inventou todo esse enredo, o escritor Flavio de Souza, que além de imaginar uma nova releitura dos contos de fada, utiliza uma linguagem nova para chamar a atenção às qualidades dos personagens, e nomear tudo aquilo (todas as ações) que ainda não tinha nome como por exemplo, correndando e resmuncitando.
Ficou curioso para saber o que essas palavras significam? Então é só ler o livro do Flavio. Para os papais e mamães antenados, vão ter mais uma história para o seu repertório. Para as crianças, além de aprenderem a brincar com as palavras, conhecerão uma história pra lá de maravinédita – mistura de maravilhosa com inédita!!!

Referência: SOUZA, Flavio de. Chapeuzinho adormecida no País das Maravilhas. Ilustrações de: Ana Raquel. São Paulo: FTD, 2005. (Coleção isto e aquilo)

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O PEQUENO PRÍNCIPE


O Pequeno Príncipe


          O que dizer de O Pequeno Príncipe? Toda a história gira em torno do principezinho, porém vejo que o narrador-personagem se esconde atrás daquele, e todas as reflexões do pequeno príncipe são, na verdade, um desabafo do narrador-personagem, que, a certa altura da vida, se sente frustrado por não ter feito o que realmente queria.
          Como chego a essa conclusão?
          Logo no início da história somos surpreendidos por uma verdade indubitável: as pessoas adultas não fazem uso de sua imaginação, vêem apenas o que parece ser, mas nem tudo que parece, é!
          E é aí que devemos ter cuidado! Quando uma criança te pergunta alguma coisa, pense muito bem o que responderá, pois ela começa a criar valores a partir dessas conversas. A história nos mostra o quão relapsos e, às vezes, ignorantes somos quando respondemos qualquer coisa às perguntas delas, sem nos importar com o peso e valor que nossas palavras terão.
         Em O Pequeno Príncipe, parece-me que o narrador deixa transparecer a sua decepção por não ter sido pintor, e ter se tornado o que era conveniente à época e/ou às pessoas.
         Fico imaginando quantos sonhos infantis, nós, adultos, não “podamos” antes mesmo de florescer! E ainda mais agora, nesses tempos de tecnologia avançada, vivemos ‘colocando’ preocupações na cabeça das crianças e a infância vai-se sem perceber. Será que não há mais tempo para ser criança?!
         Antoine de Saint-Exupéry usa o Pequeno Príncipe para nos abrir os olhos, os olhos do coração. Talvez ele, Saint-Exupéry, tenha descoberto, a tempo, que não importa-nos a idade, lembrou-se de que um dia fora uma criança e encontrou preservados, em algum lugarzinho dentro de si, sentimentos próprios do universo infantil como ingenuidade, pureza e curiosidade, assim percebera que tudo valera a pena.
         O que mais chama a atenção nesse livro são os valores que ele transmite. Em determinado capítulo, vemos o quão superficiais são as pessoas adultas, por se importarem tanto com a aparência de seus semelhantes deixam de estabelecer relações significativas e duradouras.
         Sinto um tom de pesar quando o narrador, metaforicamente, nos diz que esquecemos que um dia fomos criança, e que conseguíamos até desenhar, porque deixamos de fazer coisas de criança. Que pena! Os sentimentos de criança também se foram! E se lamenta por ser, talvez, um pouco igual aos outros adultos.
         As crianças dão valor a tudo que tem significado para elas, não importando a aparência, pois “o essencial é invisível aos olhos!”, e elas usam a imaginação.
         E você? Tem usado sua imaginação? Tem percebido o que é essencial ou tem procurado enxergar o invisível?
         As crianças são especiais demais para serem decifradas em apenas um livro ou numa simples análise.
        O Pequeno Príncipe nos surpreende quando valoriza demasiadamente uma rosa. Essa rosa parece ser insignificante, quando ele encontra milhares de rosas, mas para a sua surpresa, a raposa, muito sábia, explica-lhe que se ele a cativou então é responsável por ela, e por isso cada um é único para o outro. O tempo que passaram juntos foi suficiente para tornarem-se importantes um para o outro.
         E você? O que e quem tem cativado? Tem passado tempo suficiente para se tornar importante para alguém ou para fazer com que alguém se sinta importante para você?
        O Pequeno Príncipe me cativou, agora é a tua vez! Deixe-se cativar por esse principezinho que representa tudo que há de bom, ou seja, todas as crianças do mundo.

Referência do livro: SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. O Pequeno Príncipe. Tradução: Dom Marcos Barbosa. 48 ed. Rio de Janeiro: Agir, 2009.

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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O MUNDO MARAVILHOSO DE ALICE

Alice no País das Maravilhas


       Estava ansiosa para escrever sobre Alice. Afinal, um clássico da literatura não deve ser tão fácil de ser comentado. Porém, longe de fazer análises sobre o que Carroll quis mostrar com a história de Alice, faço apenas um comentário sobre ela a fim de indicar a leitura, sem compromisso de entendê-la, dessa história maravilhosa.
       Ao iniciar a leitura do livro, parece que estamos diante de uma história sem “pé nem cabeça”, tudo é complicado e confuso, por isso penso ser melhor apenas ler o livro por puro prazer, sem tentativas de entendê-lo ou analisá-lo.
      O melhor da vida, mesmo, é ser criança! Quando somos nem imaginamos, mas é só nos tornarmos adultos que vemos o quão bom era aquele tempo. Quem nos comprova isso é a pequena Alice, que de pequena só tem o tamanho, pois é de uma inteligência, mesmo que ingênua, sem igual.
       Essa menina nos surpreende, pela sua ousadia e audácia, ou seja, ela é atrevida e corajosa, como a maioria das crianças. Muitas vezes as crianças são repreendidas por seus comportamentos, mas é natural delas fazerem o que acham certo e dizerem o que pensam. A Alice é assim. Mas, é claro, isso tudo por causa de sua ingenuidade. Mesmo que muitos digam o que se deve ou não fazer, o que se deve ou não dizer, ela faz e diz o que quer. E isso se explica pelo fato de que crianças não são mentirosas, são verdadeiras, não dizem algo para magoar, mas dizem, simplesmente, o que pensam.
       Para alguns Alice se aproveita da fase em que está, por exemplo, para fazer certas coisas é muito pequena, já para outras, grande demais (por isso vive diminuindo e aumentando de tamanho), prefiro pensar que ela é ingênua, por isso, ao longo da história, deixa alguns personagens confusos, sem saída para algumas de suas indagações.
       Ora essa! É mais comum do que se imagina crianças curiosas perguntarem sobre o que lhes interessa ou o que lhes é curioso. E com a Alice não seria diferente. Afinal, é a curiosidade que move o mundo!
       Gosto de pensar nesse livro com um daqueles que devemos apenas ler por prazer, sem nos preocupar em fazer alguma análise, mas os adultos são teimosos, tenho certeza de que tentarão.    
       Quanto aos pequeninos, já não me preocupo, porque é da natureza deles entenderem sem fazer esforço algum. Engana-se quem pensa que não são inteligentes o suficiente para entenderem um livro como este.
       Para as crianças, assim como para Alice, o desconhecido é instigante e desafiador. A leitura dessa obra será deslumbrante para você que ainda não conhece ou não leu a história da pequena Alice.
       Ah! Sem desencorajar os que já leram, muito pelo contrário, encarem a nova leitura como uma revisitação a um álbum de fotografias, sempre há cenas que passaram despercebidas, e quando as percebemos lembramos de muito mais do que apenas o passado, lembramos dos nossos sentimentos, que é muito melhor do que apenas ver com os olhos, pois os sentimentos são os olhos do coração!



Referência do livro: Carroll, Lewis. Alice no País das Maravilhas. Tradução: Nicolau Sevcenko. Ilustrações: Luiz Zerbini. São Paulo: Cosac Naify, 2009.

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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

GUILHERME TELL

Guilherme Tell

       A principal temática de Schiller sempre foi a liberdade dos homens. E na história de Guilherme Tell não seria diferente.
      Temos na história uma espécie de três mosqueteiros suíços. Três amigos tentam libertar o povo suíço da tirania de governadores austríacos, mas sem sucesso.
      A libertação só se realiza quando Guilherme Tell descumpre uma ordem do governador Gessler. Guilherme recusa curvar-se diante de um chapéu do governador que fora pendurado em um poste, no centro da cidade.
       O governador não gosta nada do enfrentamento de Guilherme e propõe algo terrível para que ele tivesse sua liberdade preservada: estaria livre se acertasse sua flecha em uma maçã, porém essa estaria sobre a cabeça de seu filho, Walter.
Será que Guilherme Tell teve coragem de por a vida de seu filho em risco em prol de sua liberdade? E o governador honrará a sua palavra, depois de ter deixado de fazer tantas coisas que havia prometido?
      Essa história retrata muito bem os valores de uma época em que a palavra de uma pessoa valia mais do que qualquer coisa; uma época em que ainda existia palavra de honra; em que filho poderia confiar de olhos fechados no pai; em que os homens não traíam uns aos outros; em que a união preservava a liberdade de um povo inteiro; em que as pessoas não se corrompiam por falsas promessas e bens materiais; uma época em que se pensava em preservar o bem comum, pois se a sociedade está bem, logo o povo também está.
       Que pena que esse tempo já passou! Mas nunca é tarde para aprender. Essa história nos dá uma lição de união e amor à pátria, sentimentos esses que parecem estar esquecidos na nossa sociedade.
       É bom de vez em quando voltarmos ao passado e relembrar fatos para não repetirmos os mesmos erros e para que possamos fazer um futuro diferente e melhor!

Referência do livro citado: SCHILLER, Friedrich. Guilherme Tell. Recontado por Barbara Kindermann; tradução de Christine Röhrig. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2007.

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terça-feira, 1 de novembro de 2011

RAUL DA FERRUGEM AZUL

                         Raul da ferrugem azul

        Quem é que nunca ficou indignado, irritado ou, até mesmo, envergonhado por presenciar alguma situação de violência – seja física ou moral – contra alguém?
       O Raul sentia tudo isso, mas não fazia nada, não. Deixava as coisas acontecerem, só observava, sem falar nada, sem protestar. Está certo que ele bem que queria reagir, mas não tinha coragem. Só a vontade não bastava!
       Por isso, de tanto ver coisas injustas e erradas serem feitas e acabar consentindo – como diz o ditado: “Quem cala, consente.” – ele foi enferrujando. Não demorou muito e Raul percebeu que estava quase todo azul!
       Imagina! O Raul azul!! Ora essa, a gente não fica vermelho de raiva? Amarelo de vergonha ou medo? Pois o Raul ficou azul, de tanto ficar calado.
       E cada pessoa que não se manifesta quando vê atos errados, vai criando uma ferrugem, como a Estela, que tinha ferrugem amarela, e a Marieta da ferrugem preta. E você? Qual é a cor da sua ferrugem? É claro que você só a terá se ficar calado diante de atos covardes e injustos. Será que fica?
Seria uma boa ideia se a gente ficasse de alguma cor para demonstrar a nossa insatisfação com alguma coisa, assim, talvez, a gente nem precisasse falar, só de nos verem já saberiam das coisas erradas que estariam fazendo e recuariam, não praticando mais tais atos.
       Muitas vezes nos acovardamos diante de situações intoleráveis, mas a nossa perda de voz tem uma explicação: o medo. E é esse medo que não podemos deixar que tome conta do nosso pensamento e ação e, assim como Raul, devemos falar o que nos incomoda. Se cada um fizer a sua parte, quero dizer, se cada um falar o que pensa não teremos apenas uma voz, mas um coro, e aí, sim, seremos ouvidos e, mais do que isso, respeitados.
      É isso o que acontece com o menino Raul, que já não é mais da ferrugem azul, pois decidiu usar um dos seus dons especiais: a voz! E todo medo e insegurança que sentia, sumiram.
      Saiba você de um segredinho: todos nós temos esse dom especial!!!

Referência do livro: MACHADO, Ana Maria. Raul da ferrugem azul. Ilustrações de Rosana Faría. São Paulo: Richmond Educação, 2009.

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